Os desafios dos ambientes virtuais de aprendizagem
Com o pleno desenvolvimento das TICs e universalização da cultura do Ciberespaço, não há mais dúvidas de que o futuro educacional e a construção do conhecimento de uma forma geral não têm como se dissociar desse fenômeno. Já na explosão das mídias de massa essas foram muito utilizadas como formas de expansão e disseminação da educação em áreas remotas e dispersas de diversos países, vendo nestas a solução para o problema educacional do século XXI. Todavia, as TICs representam uma oportunidade e uma evolução ainda maior do que as mídias de massa, pois quebram o padrão diretivo emissor-receptor e proporcionam um padrão todos-todos, que dá a todos não apenas o poder de receberem a mensagem, mas poderem modificar essa mensagem e tornarem-se também autor de conteúdo.
A questão surge quando há um enviesamento dessa característica essencial das TICs, de completa interação, e estas são reduzidas a meras reproduções on-line dos sistemas presenciais já reinantes ou sistemas virtuais que são inteiramente engessados e fechados, não permitindo que as excelentes qualidades da liberdade da rede sejam usufruídas. Exemplos muito marcantes disso são os cursos superiores de ensino EAD que em sua maioria veem com um Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem limitado.
Com isso, surge o grande risco e ameaça para as TICs e sua relação com a educação: transformar-se em um instrumento de reprodução das estruturas e perder toda sua inventividade que tanto a caracteriza. O status quo objetiva isso, reproduzir on line os mecanismo de produção de conteúdo que, em regra, é feito presencialmente nos espaços, direcionando para um viés tecnicista e mercadológico com um único anseio de produzir mão de obra para o capital, com a vantagem de nos ambientes de aprendizagem virtual os custos e gastos serem bem menores e alcançar um número maior de pessoas. É a concretização do homo economicus, apenas pensado para a produção e o consumo, completamente apartado de suas dimensões metafísicas, culturais e antropológicas.
A tecnologia é apenas um instrumento e devemos enfatizar menos as rupturas proporcionadas por estas e pensar nas novas pedagogias que podem e devem surgir a partir destas, pensar que estas criam novos meios de produção do conhecimento e novos meios de disseminá-lo. Nesse sentido, uma figura central para evitar que as TICs sejam apenas um instrumento de reprodução do status quo é o professor. Estes devem através da constante crítica pensar o sentido central da educação na Era das Tics e Cibercultura. A aprendizagem colaborativa deve permear sempre esses espaços, pois é a grande transformação trazidas por esse novo contexto. A possibilidade de construção e concretização de uma inteligência coletiva que se alimente e se realimente incessantemente, permitindo a todos que façam parte do ambiente crescer intelectualmente.
É fundamental a preservação do caráter rizomático dos ambientes virtuais para que eles acompanhem de fato tudo que as TICs podem proporcionar, e não a reprodução virtual de um espaço presencial. O hipertextual e seus diversos caminhos, tanto intertextuais quanto intratextuais devem ser utilizados ilimitadamente, como um caminho para a formação de cidadãos plenos, não apenas profissionais encaixados no mercado de trabalho.
REFERÊNCIA
REFERÊNCIA
PRETTO, Nelson De Luca; RICCIO, Nicia Cristina, PEREIRA, Socorro Cabral. Reflexões teórico metodológicas sobre ambientes virtuais de aprendizagem. In: 18 Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN, 2007, Maceio/Al. Anais... - EPENN. Maceio/Al: UFAL, 2007.
HAGUENAUER, Cristina; LIMA, Luciana Guimarães; FILHO, Francisco Cordeiro. Comunicação e interação em ambientes virtuais de aprendizagem. In: 16 Congresso Internacional de Educação a Distância, 2010, Foz do Iguaçú/PR. Anais... - CIAED. Foz do Iguaçú/PR, 2010
Bacana tua reflexão André, ao mesmo tempo que trouxe as potencialidades das TIC para a educação, também fez a crítica aos modelos dos cursos de EAD que estão sendo oferecidos aos cidadãos. Parabéns!
ResponderExcluirOlá André, achei muito bom seu texto. A gente tem que pensar mais sobre como nos apropriamos da tecnologia e que se faz com ela.
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