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As contradições do processo de formação do professor

As análises suscitadas no texto "Política educativa e cultura digital: entre práticas escolares e práticas sociais" são bastante precisas e desvelam de forma muito clara como o processo de inserção das escolas no mundo digital se encontram. Definitivamente, há uma completa fragmentação desse processo, como se a tecnologia e os Ciberespaços fossem um mundo paralelo à realidade educacional e social das escolas e da vida dos alunos. O que é completamente equivocado, pois sabemos que esses alunos encontram-se completamente imersos no mundo das Tics e das redes. Na condição de professor da rede pública do estado da Bahia, tive a oportunidade de vivenciar uma experiência que ilustra de forma muito clara essa realidade. No ano de 2015, a Secretaria de Educação da Bahia ofereceu como proposta de formação continuada e avanço no Plano de Carreira com obtenção de gratificação, um curso sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação. O curso foi ministrado pela Uneb, no seu ambien...

Em Busca do Desenvolvimento

Os debates suscitados pelo texto " Inclusão digital: ambiguidades em curso" são fundamentais e trazem contribuições importantíssimas para os formuladores de políticas públicas, não apenas da área de ciência e tecnologia, mas para toda área educacional. Antes de tudo é fundamental nos apropriarmos desse debate para não ficarmos repetindo sem questionar o discurso que nos é vendido pela mídia.No post sobre Cibercidadania e Teledemocracia, tivemos a possibilidade de ter aprofundado este debate. Naquela ocasião, Sérgio Amadeu já nos chamava atenção para o risco de adotarmos o discurso da inclusão digital como sendo um discurso produzido pelo stablishment para vender produtos e aparelhos tecnológicos para os países que ficaram de fora do mundo informacional e tecnológico. Muitos teóricos denominaram esse processo de Digital divide, no qual os países do Primeiro Mundo praticamente universalizaram a inclusão digital e, enquanto isso, os países do terceiro mundo ou em desenvolvime...

As Novas perspectivas do ensino de Jovens e Adultos

A leitura do livro "Polegarzinha" de Michel Ferres e o texto de Ana Regina Messias " O idoso no facebook: sociedade e encontro geracional" suscitou uma série de questões fundamentais para entendermos o novo contexto social causado pela Cibercultura. Dessa feita, fui remetido de imediato às questões relacionadas aos novos contextos e transformações que vêm ocorrendo na modalidade de Ensino de Jovens e Adultos. Historicamente, a Educação de Jovens e Adultos(EJA) sempre foi relacionado a alunos completamente fora da idade escolar padrão e já pertencentes ao mundo do trabalho. Ou seja, depois de ter abandonado os estudos para trabalhar para sobreviver e ajudar a família, adultos essas pessoas retornavam a escola, ou para almejar uma melhor posição no mercado de trabalho ou para se enriquecer culturalmente e resgatar aquilo que deixou de aprender. Além disso, sempre foram um setor da sociedade ainda mais marginalizado, sujeito a condições de miserabilidade e ocupante...

Os desafios dos ambientes virtuais de aprendizagem

Com o pleno desenvolvimento das TICs e universalização da cultura do Ciberespaço, não há mais dúvidas de que o futuro educacional e a construção do conhecimento de uma forma geral não têm como se dissociar desse fenômeno. Já na explosão das mídias de massa essas foram muito utilizadas como formas de expansão e disseminação da educação em áreas remotas e dispersas de diversos países, vendo nestas a solução para o problema educacional do século XXI. Todavia, as TICs representam uma oportunidade e uma evolução ainda maior do que as mídias de massa, pois quebram o padrão diretivo emissor-receptor e proporcionam um padrão todos-todos, que dá a todos não apenas o poder de receberem a mensagem, mas poderem modificar essa mensagem e tornarem-se também autor de conteúdo. A questão surge quando há um enviesamento dessa característica essencial das TICs, de completa interação, e estas são reduzidas a meras reproduções on-line dos sistemas presenciais já reinantes ou sistemas virtuais que são...

Cibercidadania e Teledemocracia

Embora a cultura digital e os Ciberespaços tenham modificado em muito nossos conceitos de tempo e espaço, abrindo oportunidades que até então nenhuma outra geração havia jamais experimentado, conceitos novos e sofisticados não parecem ser capazes de superar velhos e persistentes problemas que perseguem a humanidade.  Ainda assim, com todas essas oportunidades a estrutura do modo de produção vigente se readequou e tomou uma nova roupagem, impedindo que a verdadeira transformação se realizasse, e tentando o máximo possível frear as conquistas que foram realizadas. Pesquisas tanto qualitativas, quanto quantitativas têm tentado entender a natureza das relações realizadas nesses novos espaços e tentado perceber se essas relações podem evoluir para que as redes constituam-se de fato em uma ágora eletrônica. Uma espaço de debates e construções onde as ideias possam ser discutidas e todos possam crescer juntos. Já foi bastante debatido aqui as diversas concepções sobre as novas tecnol...

O Local e o Global

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As cenas das centenas de milhares de refugiados sírios atravessando as fronteiras da Europa em busca da Alemanha ainda estão bastante presentes na mente de todos. Apesar dos constantes gestos de solidariedade e compaixão, tivemos do outro lado também cenas de represália, medo e raiva partindo de outros lugares da sociedade. Entre tantos momentos que chamaram tanto a atenção de todos, a imagem de uma repórter húngara chutando um refugiado com seu filho nos braços é uma das que mais marcou e que é retratado no vídeo acima.  Embora tenhamos nos debruçado ao longo de todo o semestre para debatermos as transformações causadas, primeiro pelas mídias de massa, e depois pela cultura digital e o advento do Ciberespaço, é notório como toda essa revolução não foi capaz de desconstruir todas as reminiscências da velha modernidade. É justamente essa modernidade que é evidenciada pela repórter, do apego ao local ao nacional e aos nacionalismos, que está impregnada a ideia de pertenciment...

Os Velhos e Novos Commons

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A leitura do texto de Benkley, A economia política dos Commons, trouxe de imediato a tona, um período muito mais remoto da História, a transição na Inglaterra, do Período Medieval e seu modo de produção feudal, para a Revolução Industrial e o emergente modo de produção capitalista. Justamente nesse período, tivemos a Lei dos Cercamentos, que consistiu na privatização das terras que no período medieval eram de uso comum dos camponeses e essenciais para o modo de vida que eles levavam. Toda a tradição de uso comunal das terras foi quebrada e, com isso os antigos Senhores feudais deixaram de ser os detentores de terras do antigo mundo feudal e se constituíram nos grandes proprietários do campo. Sem suas terras comunais não restou nada aos camponeses, os novos despossuídos, a não ser mendigar e peregrinar pelas estradas em busca de um novo lugar. Os cercamentos e o fim das terras comunais não tiveram outra consequência a não ser a fuga para os grandes centros urbanos, em especial ...