Impressões sobre a Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman
A leitura do excelente texto de Zygmunt Bauman suscita uma série de reflexões e análises sobre a vida e, em especial, o atual momento e conjuntura ao qual nos encontramos. Na condição de historiador, não passou despercebido a sua análise do tempo, de que este na modernidade leve, como denomina, se emancipou do espaço, fazendo com que o conceito de temporalidade tenha sofrido uma grande mudança neste atual período histórico. François Dosse, teorizando sobre a história, já havia falado sobre uma "história em migalhas", que havia se fragmentado aos ventos dos novos paradigmas das ciências sociais, no qual muitos colocaram em cheque até a existência da Ciência História. Num mundo tão complexo e mutável não há mais por que acreditarmos num tempo linear e progressivo que irá nos conduzir para uma utopia ou um paraíso terrestre. Era o que imaginava Francis Fukuyama no início dos anos 90, quando caia o muro de Berlim e era chegado o fim do mundo bipolar com o esfacelamento da União Soviética. Entusiasta da ciência moderna e do avanço tecnológico, fazendo uma releitura de Hegel acreditava que as contradições senhor x escravo haviam sido superadas pela Democracia Ocidental e que por isso teríamos alcançado o fim da História. Todavia, os fatos o desmentiram e as contradições entre povo e elite, Norte e Sul e tantas outras continuaram a mostrar a dificuldade em apreender o tempo dentro de um método teórico. Paralelo a isso, não vimos o socialismo se transformar em comunismo e a Inglaterra não foi a primeira nação onde o proletariado chegou ao poder, pois já havia alcançado as condições materiais para tal, foi a Rússia uma nação atrasada e rural. Como vemos, o Tempo tem suas regras próprias e é o menos responsável por qualquer questão da contemporaneidade.
Sendo assim, Bauman é um crítico fundamental das interrogações que o homem atual se coloca e é taxativo em criticar a liquidez desse mundo moderno. Entre outras coisas, desmistifica o ideal orweliano de que surgiria um estado totalitário através do Grande Irmão que iria tudo ouvir e ver e acabaria por aprisionar a vida de todos em um futuro próximo. Segundo Bauman, o que assistimos é uma colonização do público pelo privado e não o seu inverso, e que os grandes oligopólios e corporações do setor privado hegemonizam o estado através de tecnologias leves.
Bacana André, agora importante é pensarmos nas implicações dessa hegemonia do privado nos mais diversos âmbitos sociais...
ResponderExcluirVerdade, Pró! O texto da Santaella nos trouxe várias possibilidades de discussão em torno disso.
ExcluirAgora nós temos que ser como Bauman, temos que ser críticos do nossa atualidade, críticos de nosso relacionamento com os demais e temos que pensar qual é nossa responsabilidade como críticos num entorno favorecido pelo desconhecimento impulsado desde o grupo no poder.
ResponderExcluirCom certeza, Marcela. É pensar fora da caixa, fora daquilo que os donos do poder querem que nós pensemos.
ExcluirComo também mencionei no meu blog, as discussões deste texto me fizeram recordar a questão dos rolezinhos, que se iniciaram na zona leste de São Paulo e se espalharam pelo país como um grito da juventude sobre o seus direitos de participação social.
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