Os Velhos e Novos Commons
A leitura do texto de Benkley, A economia política dos Commons, trouxe de imediato a tona, um período muito mais remoto da História, a transição na Inglaterra, do Período Medieval e seu modo de produção feudal, para a Revolução Industrial e o emergente modo de produção capitalista. Justamente nesse período, tivemos a Lei dos Cercamentos, que consistiu na privatização das terras que no período medieval eram de uso comum dos camponeses e essenciais para o modo de vida que eles levavam. Toda a tradição de uso comunal das terras foi quebrada e, com isso os antigos Senhores feudais deixaram de ser os detentores de terras do antigo mundo feudal e se constituíram nos grandes proprietários do campo. Sem suas terras comunais não restou nada aos camponeses, os novos despossuídos, a não ser mendigar e peregrinar pelas estradas em busca de um novo lugar.
Os cercamentos e o fim das terras comunais não tiveram outra consequência a não ser a fuga para os grandes centros urbanos, em especial Londres, e a miserável formação da classe operária inglesa, tão bem retratada pela literatura e pelo cinema em tantos filmes, como no Oliver Twist de Roman Polanski. Nesse momento, vimos a modernidade pesada da Revolução Industrial, se afirmar sobre o passado e os novos paradigmas que adviriam dessa realidade como o individualismo e a propriedade privada
Todavia, como não poderia deixar de ser, o tempo e seu caráter cíclico as vezes nos surpreende, e em pleno capitalismo pós- industrial através da Era digital e das Redes surge possibilidades de resgatarmos concepções e ideias de outros períodos, que embora não as mesmas, com princípios bastante parecidos e similares como o dos Commons trazidos por Benkley. Segundo este, os commons são espaços institucionais em que os agentes humanos podem agir sem as restrições particulares exigidos pelo mercado. De forma mais enfática, o autor afirma a transformação completa que pode proporcionar os Commos, tirando o lucro e a mercadoria da centralidade das relações vigentes, e trazendo novamente para o centro, os seres humanos. É como se tivéssemos a oportunidade histórica de derrubarmos os cercamentos.
Ademais, como bem pontuou a Prof Maria Helena Bonilla, em Software Livre e Educação: uma experiência em construção, as experiências dos software livres, representam uma oportunidade de transformação da geografia do mundo, onde o Sul atrasado e explorado pela sangria das transferências de capital, muitos destes pela utilização dos software proprietário para as grandes empresas e países do Norte, pode dar um basta a esse modelo e através dos software livre traçar um novo caminho.
Entretanto, o simples manejo dos software livre dentro das mesmas concepções vigentes não será possível para engendrar todas essas transformações, é preciso que estas venham acompanhadas dos espíritos daqueles que sustentam o embate pela liberalização total dos software, uma cultura distributivista, de total compartilhamento e difusão dos conhecimentos adquiridos em torno destes e que não estejam restritos pela ideia da exclusividade do autor. E para isso acontecer é essencial a escola e a educação e também uma maior inserção dos professores dentro desse debate.
essa expulsão dos campesinos de suas terras é uma estratégia para o fortalecimento da indústria. O mesmo aconteceu no Brasil, a partir da década de 30, com os camponeses migrando para as grandes cidades para formar um "exército de reserva" para a indústria, como pontua Francisco de Oliveira no livro Vrítica á razão dualista/O ornitorrin o (2003)
ResponderExcluirA própria Lei de Terras de 1850 já foi no sentido de afastar os pobre e ex-escravos de possuir terras no Brasil, para evitar que aqui se formasse uma ocupação do campo em pequenas e médias propriedades e mantendo a posse das propriedades para os mesmo latifundiários.
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